Santa Filomena em Portugal

Palavra Dominical - Partilha do Diretor Espiritual

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28º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026


Ideia principal: Deus, um dia, por Sua iniciativa, vai oferecer um “banquete” a todos os Povos. Os que acolhem o convite e nele participarem, experimentarão a vida em abundância. A oportunidade de acolher tão auspicioso convite nos foi dada no Batismo; não a desbaratemos, seduzidos pelas propostas e desafios que o mundo nos faz. A comunidade de Filipos é um exemplo para as comunidades do Reino: generosa e solidária, comprometida na vivência do amor e no anúncio do Evangelho.


LEITURA I – Profecia de Isaías 25,6-10a


Sobre este monte, o Senhor do Universo há de preparar para todos os povos um banquete
de manjares suculentos, […] Dir-se-á naquele dia: «Eis o nosso Deus, de quem esperávamos a salvação; […] Alegremo-nos e rejubilemos, porque nos salvou. A mão do Senhor pousará sobre este monte».


- A 1ª leitura da missa deste domingo é extraída do chamado Grande Apocalipse de Isaías (caps 24 a 27), um conjunto de oráculos escatológicos. Serão da autoria do 1º Isaías, a quem são atribuídos os capítulos 1 a 39? Há quem o defenda, situando-os no final da vida do Profeta (final do séc. VIII a.C.) quando, desiludido com a política e os reis de Judá, começa a sonhar com tempos novos de felicidade e de paz para o Povo de Deus. Porém, é bem mais provável, e isso defendem muitos biblistas, que o Grande Apocalipse seja posterior ao exílio de Babilónia (séc. V a. C.), pois refere a superação da morte, das lágrimas e da vergonha.

- Trata-se de um banquete “para todos os povos”. A tradição sacerdotal fala já, no episódio de Noé, de uma “aliança eterna” que ligará Jahwéh a todos os seres vivos (cf. Gn 9,16). O Profeta a tem presente no seu Apocalipse (cf. Is 24,5). Este banquete tem lugar sobre o Monte, isto é, em Jerusalém. Para Isaías, a universalidade não é uma cedência à aceitação daquilo que os povos, dispersos pelo universo, fazem e acreditam… é antes o sonho da comunhão tornado realidade. Comunhão que não oprime nem sufoca: é libertação! Jahwéh “há de tirar o véu que cobria todos os povos, destruirá a morte para sempre” (v 7).


LEITURA II – Filip 4, 12-14.19-20


Irmãos: […] Tudo posso n’Aquele que me conforta. No entanto, fizestes bem em tomar
parte na minha aflição. O meu Deus proverá com abundância a todas as vossas necessidades,
segundo a sua riqueza e magnificência, em Cristo Jesus.
Glória a Deus, nosso Pai, pelos séculos dos séculos. Amem.


- Paulo, emocionado, agradece os dons recebidos da comunidade de Filipos. Será o texto um bilhete agradecendo a ajuda prestada (Fil 4, 10-13), escrito logo após a chegada de Epafrodito, mais tarde integrado na Carta aos Filipenses? Assim pensam alguns dos seus estudiosos. Paulo vê nos bens materiais doados, um gesto de apoio, não tanto à sua pessoa, mas ao ministério que exerce e ao anúncio do Evangelho.

- Paulo está certo de que a caritativa dos filipenses os beneficiará a eles em primeiro lugar: Deus sempre recompensa generosamente os que dão com alegria. Por outro lado, ele, que “sabe viver tanto na pobreza como na abundância”, está mais habituado às privações, não fazendo depender a sua missão de qualquer benefício material; é Cristo que lhe dá coragem para enfrentar as exigências da evangelização.

- É, pois, de Cristo, que brota esta “liberdade interior” de Paulo. Porém aqueles que, como ele, colocam a sua vida ao serviço dos irmãos, não deixam de ter sentimentos: sofrem com a ingratidão e alegram-se com as manifestações de estima e de afeto. As nossas comunidades devem ter como referência a comunidade de Filipos, e ter gestos de reconhecimento para quem está ao seu serviço e ao serviço do Reino.


EVANGELHO – Mateus 22, 1-14


Naquele tempo, Jesus dirigiu-Se de novo aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo e,
falando em parábolas, disse-lhes: «O reino dos Céus pode comparar-se a um rei que preparou
um banquete nupcial para o seu filho. […] Disse então aos servos: ‘O banquete está pronto,
mas os convidados não eram dignos. Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas
todos os que encontrardes’.[…] E a sala do banquete encheu-se de convidados. O rei, quando entrou
para ver os convidados, viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial.
[…] O rei disse então aos servos: […]‘ lançai-o às trevas exteriores;
aí haverá choro e ranger de dentes’. Na verdade, muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos».


- O banquete – cenário do Evangelho de hoje - era, na cultura semita, o lugar do encontro, do convívio e da comunhão; revelava também o “status” das pessoas… ser convidado por alguém com estatuto, ou ter como convidados gente com estatuto, dava estatuto. Jesus, aponta a perspetiva de Deus: o convite é dirigido a todos, não há excluídos. O problema está naqueles que se autoexcluem, rejeitando o convite de Deus.

- O rei, ele próprio, prepara meticulosamente a festa, contudo esbarra com sucessivas recusas por parte dos convidados – ofensa inqualificável, que revela um absoluto desprezo pelo rei – e alguns dos convidados teriam mesmo espancado e assassinado emissários do rei. Porém, o rei não desiste: reenvia os seus servos, que convidam todos, bons e maus, e encheu-se a sala do banquete. Que acontece a seguir?

- O rei entra na sala e repara que um dos convidados não tem a veste nupcial. E todos os outros – bons e maus – têm-na? Certamente. Segundo os costumes da época, o rei a ofereceu de presente a todos. Um convidado, recusou-a. O rei trata-o por “amigo”, como que a dar-lhe outra oportunidade, que de novo o convidado desperdiçou. E a festa prosseguiu sem ele. Sem ele e sem os convidados da primeira hora!


Rezar a Palavra


Ó Deus da Aliança, que me convidais para a Festa da comunhão! Na escola de Nossa Senhora do Rosário, eu quero, com a Sua ajuda, preparar a veste para ir à Festa: o banquete preparado no alto do Monte. Com serenidade, esperança e confiança, quero tece-la com as linhas da justiça, do amor, da partilha… e adorná-la com a boa nova do Reino. Dou-Vos graças, Senhor, porque me ofereceis a vida em abundância. Amem.


Cónego Armando Duarte
11 de outubro de 2026