2026-02-08
5º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026
Ideia principal: Ser “sal da terra” e “luz do mundo” é o que se espera dos que integram a comunidade do Reino de Deus. Mas que é ser “sal” e “luz”? O profeta da 1ª Leitura é um homem prático…. É partilhar o pão com os famintos, ficar do lado dos injustiçados, cuidar dos que sofrem e daqueles que ninguém cuida.
LEITURA I – Isaías 58, 7-10
Eis o que diz o Senhor: «Reparte o teu pão com o faminto,
dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa ao que não tem que vestir
e não voltes as costas ao teu semelhante.
Então a tua luz despontará como a aurora e as tuas feridas não tardarão a sarar.
- Os capítulos 56 a 66 do Livro de Isaías, o chamado “Trito-Isaías”, reúnem profecias de vários profetas da época do pós-exílio (finais do séc. VI, início do séc. V. a.C.). O cap. 58, donde é tirada a 1ª Leitura deste domingo, terá como autor alguém ligado ao sacerdócio levítico, sacerdotes que se tinham mantido em Jerusalém nos anos que tinha durado o Exílio; tinham uma visão menos oficial e legalista da fé.
- O profeta, crítico dos sacerdotes sadoquitas (da linhagem de Sadoc, sacerdote do tempo de Salomão) recém-retornados do exílio na Babilónia, denúncia um culto vazio e estéril, que cumpre as normas, mas não sai do coração. O povo continuava a observar os dias de jejum inscritos no calendário, mas não passa de uma prática formalista. O jejum que agrada a Deus, tem em vista restabelecer a justiça divina.
- A justiça querida por Deus consiste em partilhar com os que não tem alimento, nem agasalhos, nem casa; a estar atento aos que precisam da nossa atenção e companhia. Assim se curam as feridas sociais e resplandece a justiça e a glória de Deus. Nos vv 9-10, o profeta aponta outra característica do verdadeiro jejum: praticá-lo pondo de lado a arrogância, origem de tantas humilhações, injustiças e discriminações.
LEITURA II - 1ª Carta de São Paulo aos Coríntios 2, 1-5
Apresentei-me diante de vós cheio de fraqueza e de temor e a tremer deveras.
A minha palavra e a minha pregação não se basearam na linguagem
convincente da sabedoria humana, mas na poderosa manifestação do Espírito Santo,
para que a vossa fé não se fundasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.
- São Paulo permaneceu em Corinto perto de um ano e meio, depois da sua fracassada pregação no Areópago de Atenas, que, apoiado na sua cultura profana (cita até autores pagãos), havia preparado cuidadosamente, prega em Corinto com grande ardor, sem se basear “na linguagem convincente da sabedoria”, mas no “poder de Deus”, falando, sem complexos, do escândalo e da loucura da Cruz.
- Apresentou-se com toda a simplicidade, frágil e cheio de temor, a anunciar esse paradoxo de um Deus fraco, rejeitado, que morreu numa Cruz. A verdade é que, em Corinto, nasceu uma comunidade cristã cheia de força e de fé. Como se explica isso? Porque Deus age pelo Espírito Santo: atua, quer naquele que anuncia, quer no coração daqueles que escutam, a fim de se deixarem tocar pela verdadeira Sabedoria.
- Por isso, na Leitura que hoje escutámos, Paulo lembra aquilo que espera dos cristãos daquela comunidade: 1) Em nenhum outro deveriam crer, senão Jesus Cristo, e Cristo crucificado; 2) Deveriam apoiar-se somente no Evangelho, poderosa manifestação do Espírito Santo; 3) Como ele próprio - que não quis parecer o que não era - deveriam comportar-se como humildes servidores do mistério de Deus
EVANGELHO - São Mateus 5, 13-16
Disse Jesus aos seus discípulos: «Vós sois o sal da terra. […] Vós sois a luz do mundo.
Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;
nem se acende uma lâmpada para a colocar debaixo do alqueire, mas sobre o candelabro,
onde brilha para todos os que estão em casa. Assim deve brilhar a vossa luz diante dos homens […].
- Estamos no “sermão da montanha” (cf. Mt 5-7). Jesus, no cimo do monte, apresenta a nova Lei que deve orientar a caminhada do novo Povo de Deus na História. A indicação geográfica – no cimo de um monte – reporta-nos ao Sinai, onde Jahwéh Se revelou ao Seu Povo e lhe deu a Sua Lei; assim, Jesus é apresentado como Deus verdadeiro que, no cimo do monte, dá ao Seu Povo os “mandamentos” da nova aliança.
- Duas parábolas de Jesus – a do sal e a da luz – para definir a missão daqueles que aceitam viver no espírito das bem-aventuranças: “dar sabor” ao mundo e iluminar o mundo com a “luz” de Deus. O sal é usado também para conservar os alimentos… o cristão é chamado a impedir a corrupção, a não permitir que a sociedade seja infiltrada pelo mal, se decomponha e apodreça. E assim, os discípulos de Jesus tornam já presente, neste mundo velho, essa realidade nova, a que Jesus chamava “Reino”.
- Com a imagem da luz acesa no azeite contido na candeia de barro que, num suporte de ferro se coloca num ponto alto da casa para que alumie a todos os que nela estão, os discípulos são convidados a não ocultar as exigências do seguimento de Jesus, antes as proclamem sem medo das incompreensões do mundo.
Rezar a Palavra e contemplar o Mistério
Pai Nosso que estais nos céus, louvo-Vos e Vos glorifico pela luz que entrou no nosso mundo, por Jesus vosso amado Filho, Luz que vence as trevas; e pela multidão dos fiéis que caminham na Sua Luz, fazendo o Bem. Pai Santo, ajudai-me a caminhar com eles! E assim, pelo labor de todos, a luz brilhe, a Palavra e o Bem sejam preservados e o Reino de Deus, cuja plenitude aguardamos, desabroche desde já. Amem.
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