Santa Filomena em Portugal

Palavra Dominical - Partilha do Diretor Espiritual

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25º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026


Ideia principal: A inveja, a mesquinhez e o ciúme impedem a entrada na festa que Deus faz com aqueles que, pelos critérios da mundanidade, não seriam convidados. Quem quiser participar na “Festa de Deus”, terá de “voltar-se para Deus", o que implica uma conversão da mentalidade, para que a maneira de pensar passe a estar em linha com a lógica de Deus. Paulo é um bom exemplo… renunciou aos interesses pessoais e colocou no centro da sua existência Cristo, os seus valores, o seu projeto.


LEITURA I – Profecia de Isaías 55,6-9


Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar, invocai-O, enquanto está perto.
Deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos.
Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele, ao nosso Deus, que é generoso em perdoar. […].


- Uns versículos da parte final do Deutero-Isaías (Is 40-55), com a mensagem de um profeta anónimo, profeta entre os exilados da Babilónia, a quem procura consolar. O desterro fora há 50 anos, mas há ainda quem o tenha vivido e narre aos mais novos o horror da destruição de Jerusalém, por Nabucodonosor. Todos os exilados vivem na expetativa da vingança de Jahwéh, que premiará os bons e castigará os maus.

- Contudo, não é a punição de Deus aos que haviam desterrado e humilhado o Seu Povo, que profeta anuncia… Encerra a sua profecia com um impressionante convite à conversão e à confiança na misericórdia e perdão de Deus. Os israelitas que assim o desejarem – muitos não o desejaram… - poderão regressar a Jerusalém. Porém, mais importante que o regresso de alguns ao seu país, é o regresso de todos a Deus.

- Esse "voltar para Deus" – essa conversão! - implica que o homem transforme a sua mentalidade e o seu comportamento: "deixe o ímpio o seu caminho e o homem perverso os seus pensamentos" (v. 7). O que só será possível se cada um corrigir a imagem que “criou” de Deus, a partir daquilo que o homem é. Abandonando “esse ídolo vingador” que criou, poderá encontrar-se com o verdadeiro Deus, que o recriará.


LEITURA II - Epístola de São Paulo aos Filipenses 1, 20c-24.27a


Irmãos: Cristo será glorificado no meu corpo, quer eu viva quer eu morra.
Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro. […]. Sinto-me constrangido por este dilema:
desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor;
mas é mais necessário para vós que eu permaneça neste corpo mortal.


- Tendo concluído a Carta aos Romanos, iniciamos hoje a Carta aos Filipenses da qual leremos alguns trechos nos próximas 4 domingos. Paulo, acompanhado de Timóteo, Silas e, provavelmente, de Lucas, chegou a Filipos, uma cidade da Macedónia, no Ano 49. A cidade era um notável centro económico e cultural. Nela, Paulo e os companheiros, permaneceram escassos dias. Foi em torno de Lídia, a quem o Senhor abriu o coração para acolher a pregação de Paulo e foi batizada, juntamente com toda a família (cf. At 16,11-15), que se organizou uma vibrante comunidade cristã, a primeira da Europa.

- Sendo breve, esta passagem permite apreender o estado de alma de Paulo, detido na prisão de Éfeso (provavelmente). Não sabe se sairá vivo ou morto, mas isso, para ele, conta pouco… o importante é que Cristo seja glorificado, quer através da vida, quer da morte do apóstolo. Inteiramente nas mãos de Cristo, alimenta um destes dois desejos: a morte seria para ele um ganho, pois o aproximaria de Cristo; mas viver permitir-lhe-ia continuar a trabalhar junto daqueles que ainda necessitam dele.

- Paulo o exemplo do bom trabalhador da vinha do Senhor, que não recusa o peso do dia e o calor.


EVANGELHO – Mateus 20, 1-16


Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais,
mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido,
começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora
e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’.
Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico.
Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho.
Eu quero dar a este último tanto como a ti.


- Na Galileia viviam muitos camponeses que, tendo já sido pequenos proprietários, trabalhavam agora para os grandes latifundiários da região. Pela jorna, de sol a sol, recebiam um denário. Na parábola, o “patrão” contrata uns jornaleiros ao amanhecer, outros às 9h, ao meio dia, às 3h da tarde, outros pouco antes do pôr do sol. Mais insólito ainda, foi ter começado a pagar pelos últimos e a todos pagar o mesmo: um denário.

- Os da primeira hora protestam, não calando a sua revolta pela injustiça do proprietário. “Não me será permitido fazer o que eu quero do que é meu?” (v.15). Esta interpelação não se enquadra numa lógica sindical, é óbvio… Que nos quer Jesus ensinar? Deus chama a uma e outra hora, porque quer abrir a vinha a todos; ser chamado a trabalhar na vinha do Senhor, é uma graça e nela própria já está o ganho …

- Mais… na Igreja a antiguidade não é um posto… não é uma questão de “anos de serviço”. A fidelidade da resposta está na disponibilidade para responder à chamada, no entusiasmo e no zelo com que fazemos o que nos é pedido, na alegria, na gratidão, no jeito de fazer. Deus não usa de subtilezas. Não controla, nem tem “relógio de ponto”. Para Ele é sempre tempo, desde que se diga “sim”, dispostos ao trabalho.


Rezar a Palavra


Pai Santo, que a minha alegria seja viver imerso no vosso Amor. Experimento-o quando me perdoais, quando Vos compadeceis e esqueceis as ofensas, quando sois paciente mesmo se volto a pecar. Que serviria trabalhar na vossa vinha e continuar enfermo daquele “olho mau”, pai da inveja, da mesquinhez e do ciúme? Jesus curai-me; Espírito Santo purificai-me, para servir com humildade na vinha do Pai do Céu! Amem.


Cónego Armando Duarte
20 de setembro de 2026

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