Santa Filomena em Portugal

NOVENA EM HONRA DE SÃO CHARBEL MAKHLOUF

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NOVENA EM HONRA DE SÃO CHARBEL MAKHLOUF

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✞ Pelo sinal da santa Cruz, ✞ livre-nos Deus Nosso Senhor, ✞ dos nossos inimigos. ✞ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem.

Credo

Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra; e em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor, o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu aos infernos; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso; donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amem.

Oração a São Charbel

São Charbel, santo monge eremita, luz que brilhais no firmamento da Igreja, glória dos católicos maronitas, que experimentastes a intimidade de Jesus, nosso Senhor, e n’Ele encontrastes a força para renunciar ao mundo e à mundanidade, vivestes de forma perfeitíssima os conselhos evangélicos da castidade, da pobreza e da obediência, é convosco que quero aprender a amar a Deus e a servi-l’O. O poder da vossa intercessão manifesta-o Deus, onipotente e misericordioso, nos numerosos milagres alcançados por vossa intercessão, alguns ainda em vossa vida neste mundo; por isso a vós recorro, poderoso São Charbel, para que me alcanceis de Deus a graça que imploro (indicar a graça que se pretende alcançar nesta novena…). Amem.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória

V/. Rogai por nós, São Charbel, glória da Igreja Maronita.
R/. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amem.

Meditação, oração e jaculatórias para cada um dos nove dias da novena

Primeiro Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Charbel Makhlouf nasceu a 8 de maio de 1828, em Bigah- Kafra, a 1600 metros de altitude, a aldeia mais alta do Líbano. Filho de Brígida e Autoun Makhlouf, tinha dois irmãos e duas irmãs, todos mais velhos que ele. No batismo recebeu o nome de José. Seu pai, morreu era ele muito pequeno. A mãe voltou a casar com um homem muito bom e piedoso, sacerdote casado, como é comum na igreja Maronita e noutras igrejas orientais. Como era tradição na generalidade das famílias maronitas daquele tempo, também Brígida e os filhos, antes de se deitarem, ajoelhavam para rezar, enquanto se queimava incenso junto ao pequeno altar suspenso na parede, dedicado a Nossa Senhora.

Este ambiente profundamente cristão enraizou a fé do jovem José. A familiaridade com a oração litúrgica do povo e a devoção a Maria e, sobretudo, a piedade e a fortaleza da mãe Brígida, criaram as condições para o desabrochar da vocação sacerdotal e religiosa de José. Estas foram as palavras da sua mãe quando José decidiu sair de casa para ingressar no mosteiro: “Se não tivesse vocação, dir-lhe-ia para regressar a casa. Mas eu sei que o Senhor o quer para o Seu serviço”. Aos 23 anos, José ingressou no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfuk, da Ordem Maronita, na região de Byblos. Aí iniciou o noviciado, segundo a Regra da Ordem Libanesa Maronita de Santo Antão. Escolheu o nome religioso de Charbel, em honra ao Santo do mesmo nome martirizado em Edessa, no ano 107 de nossa era.

Rezar Três Ave-Marias.

Oração

São Charbel, casto e obediente, iluminai-me, ajudai-me, ensinai-me a agir de acordo com a vontade de Deus. Vinde em meu auxílio, oh querido santo! Eu vos suplico, entregai nas mãos de Deus a minha súplica, para que nesta novena me seja concedida esta graça que tanto desejo (indica-se a graça…).

Oh São Charbel, discípulo do Crucificado, rogai por mim.

Deus meu, eu Vos peço, atendei as preces que Vos apresento por mediação de São Charbel, convertei o meu pobre coração, concedei-me a paz, serenai as minhas inquietações. Dar-Vos-ei glória por todo o sempre. Amem.

Segundo Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Um ambiente que favoreça o desabrochar de uma vocação de total consagração a Deus, é muito importante. Porém, a vocação supõe sempre a decisão pessoal de colaborar com a graça de Deus, por parte daquele que é chamado. Aconteceu isso com José… sentindo como irresistível o apelo à santidade, deixou a sua aldeia, a sua mãe a sua família para não voltar a vê-los, e seguiu Jesus (cf Mc 10, 23). Depois do primeiro ano de noviciado, no mosteiro de Nossa Senhora de Mayfuk, o Irmão Charbel foi enviado para o mosteiro de São Maron, em Annaya, para fazer o segundo ano de provação e iniciar os estudos de teologia. Foi aluno de Santo Al-Hardini, tanto em teologia quanto em santidade. Após seis anos de estudos teológicos, o irmão Charbel foi ordenado sacerdote, em 23 de julho de 1859, em Bekerké, sede patriarcal maronita. Durante os 16 anos de vida comunitária com os monges, foi sentindo, de forma cada vez mais clara, o chamamento à vida eremítica. Por mais de uma vez pediu autorização aos seus superiores para se retirar para o ermitério de São Pedro e São Paulo, dependente do mosteiro de Annaya. Porém, como a sua presença na comunidade era muito importante, a permissão foi sendo adiada. Mas Deus concedeu-lhe essa graça, em 1875. Ainda viveu 23 anos como eremita, completamente entregue ao silêncio e à oração. No eremitério de São Pedro e São Paulo, na véspera do dia de Natal de 1898, entregou a alma a Deus. Tinha setenta anos de idade.

Oração

São Charbel, sacerdote exemplar, vencestes as provações do corpo e da alma, vivendo sempre na luz de Jesus. Coloco em vossas mãos as minhas preces (pode indicar-se, sobretudo a graça que se pretende alcançar nesta novena…), suplicando o vosso auxílio. Amem.

Oh Senhor, cheio de misericórdia, que concedestes a São Charbel o poder de fazer milagres, tende piedade de mim e concedei-me aquilo que Vos peço por sua intercessão. Louvor e Glória a Vós para sempre! Amem.

Terceiro Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Uma razão invocada pelo superior do mosteiro para protelar a ida do Padre Charbel para o eremitério, era não haver vaga para outro monge. Acontece que o Padre Eliseu, um dos eremitas do eremitério de São Pedro e São Paulo, morreu a 13 de fevereiro de 1875. Logo o Padre Charbel renovou o seu pedido… Mas, como a verdadeira razão, era a falta que ele iria fazer na comunidade do mosteiro da Annaya, o superior trouxe do seu escritório um complexo expediente sobre vários assuntos, para os quais queria o parecer do Padre Charbel, autorizando-o mesmo a, se necessário, fazer serão. Depois o deixaria partir para o eremitério. Pegou nos documentos, fez uma profunda reverência ao superior, como era seu costume, e retirou-se sem dizer palavra.

Disposto a fazer serão, o Padre Charbel levou a lamparina da sua cela ao monge despenseiro, para que este a enchesse de azeite. O irmão Saba decidiu pregar uma partida ao austero irmão Charbel… na lamparina, em vez de azeite, colocou água. Chegado à cela, o Padre Charbel acendeu normalmente a lamparina, como se ela tivesse azeite.

O irmão Saba, que havia comunicado a outros irmãos a brincadeira que fizera, foi com eles ver, junto à cela do Padre Charbel, qual seria a sua reação. Ao chegarem, logo repararam numa luz, forte como um raio de sol, que saia por baixo da porta. O Padre Charbel, ouvindo uma movimentação estranha fora da cela, abriu a porta para indagar o que se passava e todos os monges puderam confirmar que a lamparina estava acesa, como se, em vez de água, tivesse azeite. Um dos monges brincalhões sentiu que, em consciência, deveria comunicar o sucedido ao superior. O superior ouviu-o atentamente e percebeu que se tratava de um sinal de Deus. No dia seguinte comunicou ao Padre Charbel a sua decisão: “A partir desta tarde deverá ocupar o lugar vago no eremitério de São Pedro e São Paulo e lá permanecer até ao fim da sua vida”. Isto ocorreu no ano de 1875, o mesmo ano da morte de sua mãe e do Padre Al-Hardini.

Oração

Glorioso São Charbel, estrela que brilhais no firmamento da santa Igreja, iluminai os meus passos e fortalece a minha vontade. Suplico-vos a graça que tanto desejo alcançar nesta novena (indicar a graça…). Pedi-a, por mim. a Jesus crucificado a quem sempre bendissestes. Amem.

Oh São Charbel, exemplo de paciência e de resignação, rogai por mim!

Oh Senhor Jesus Cristo, Vós que glorificastes São Charbel pela docilidade com que carregou a sua cruz. Concedei-me fortaleza para enfrentar com paciência as provações da vida. Entrego-me a Vós sem condições, procurando fazer a vossa vontade santíssima. Com São Charbel dou-Vos graças por todo o sempre. Amem.

Quarto Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


No próprio dia em que obteve autorização do superior para deixar a comunidade do mosteiro de São Maron de Annaya, a fim de ir viver no eremitério de São Pedro e São Paulo, pertencente ao próprio mosteiro, o Padre Charbel partiu. O sol poente dava uma tonalidade própria ao cimo das altas colinas de Sanin. Qual Moisés trepando o Horeb, o Padre Charbel percorria só o caminho que o conduzia ao eremitério. O rosto irradiava uma santa alegria. Porém, à medida que caminhava, começou a ouvir de novo aquela voz interior que tanto o inquietou quando, vinte e tal anos atrás, deixou a sua aldeia…

“Aonde vais, Charbel? Tão só… Para quê? Não será por egoísmo? Por cobardia? Para fugir ao serviço da comunidade? Queres ser livre e feliz, sozinho! Terás tu consciência daquilo que te espera no eremitério: a abstinência, o jejum, as vigílias, teres dormir sobre uma tábua, a flagelação do cilício… É este, fica sabendo, o exigente programa quotidiano do eremitão. O sol queima e, no inverno, o frio é glaciar. Estarás sozinho com a tua Cruz! Perderás a tua alma! Vá, ainda estás a tempo… Renuncia! Regressa ao mosteiro! O eremitério não é para ti”… Contudo, o eremita, surdo à tentação, atravessa cheio de amor a porta bendita do eremitério. Entra na capela e, de joelhos diante do sacrário, penetra na intimidade de Deus, coração a coração.

“Senhor, eis-me aqui contigo, no Calvário. Não sou mais que um frágil monge, sujeito às tentações, como qualquer homem. Porém, Senhor, apoiado em Ti, ainda que cheio de temor, sou forte, e, na Tua presença, não me sinto só. Renovo o meu propósito de me imolar por Ti todos os dias! Neste Calvário a que me chamas quero entregar-me conTigo pelos irmãos, pela salvação do mundo!”.

São Charbel ocupou a cela do falecido Padre Eliseo Kassab Al-Hardini, irmão do São Al-Hardini, seu grande mestre.

Oração

São Charbel, intercessor poderoso, conheceis bem a graça que desejo alcançar nesta novena (indica-se a graça…). Uma vossa palavra dirigida a Jesus é suficiente para d’Ele alcançar misericórdia, perdão e a obtenção daquilo que tanto desejo. Amem.

Oh São Charbel, alegria do Céu e da terra, rogai por mim.

Deus Santo, que escolhestes São Charbel para testemunhar junto aos pobres pecadores a vossa imensa glória, concedei-me a graça de Vos louvar com ele por todo o sempre. Amem.

Quinto Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


A castidade angélica do Padre Charbel transparecia nele, mas era, contudo, fruto dos seus prolongados jejuns, da oração constante, do cilício que usava, das suas muitas mortificações e de uma sábia vigilância sobre os seus sentidos. Muitos daqueles que o conheceram dão testemunho da forma como fazia uso do capuz do seu hábito religioso… Descaído sobre os olhos, permitia-lhe apenas ver o caminho que tinha de percorrer e os trabalhos que tinha entre mãos. Alguns vão mais longe, dizendo que o Padre Charbel nunca fixou o olhar num rosto humano. Procedia ele assim porque o diabo não desarma. Por isso, recorria a todos os meios que permitiam que Deus pudesse vencer nele.

Certo dia o irmão Paulo, quando lavrava o terreno que pertencia ao mosteiro, ouviu o Padre Charbel, que trabalhava a alguma distância, gritar por socorro. O irmão deixou o arado e foi para o socorrer, mas quando chegou junto dele já tudo estava calmo e silencioso… “Que aconteceu, Padre?”, perguntou-lhe. “Nada”, respondeu o Padre Charbel. O irmão Paulo retirou-se para continuar o seu trabalho. Um pouco depois, ouviu gritar novamente. Voltou para junto dele e perguntou: “Afinal, que se passa? Qual a razão desses gritos de aflição? Posso ser-lhe útil nalguma coisa?”. O Padre Charbel, com uma voz que a custo se percebia, murmurou: “Desculpe-me, acontece que experimento uma terrível tentação! Reze por mim!”.

O diabo, que se atreveu a tentar o próprio Cristo, iria deixar em paz os seus discípulos? Aprendamos com São Charbel: com os meios adequados, estejamos sempre preparados para o combate. E vigiemos! Se assim procedermos, tudo se apaziguará dum momento para o outro. À voz do Mestre, a tempestade acalmou…

Oração

Oh São Charbel, amastes a todos sem distinção e sempre ajudastes os que mais precisavam. A minha confiança em vós é ilimitada, pois sois um eleito de Deus. Pedi-Lhe por mim esta graça que tanto desejo alcançar neste dia da novena (indicar a graça…).

Oh São Charbel, sois a estrela que ilumina os que estão na escuridão! Rogai por mim.

Deus meu, os meus muitos pecados são obstáculo a que cheguem a mim as graças que Vós quereis conceder-me; atraí sobre mim o verdadeiro arrependimento; oferecei-mo por intermédio de São Charbel; alegrai o meu coração, alcançando-me aquilo que Vos peço. Vós sois a fonte da graça, Eu Vos louvo e bendigo a cada momento. Amem.

Sexto Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


No que diz respeito à pobreza, pode afirmar-se que o Padre Charbel imitou todos os grandes Santos. Testemunha quem o conheceu, que havia nele uma indiferença a tudo que não se referisse a Deus; não se lhe conheciam ambições de honras, nem preocupações com dinheiro, nem uma réstia de vaidade ou de complacência consigo. Somente uma firme constância em atingir o ideal - Deus – e fazer em tudo a Sua santa vontade.

Se alguém pretendesse oferecer-lhe qualquer coisa que o pudesse desviar de sua trajetória espiritual, a recusa seria tão completa que não teria mais coragem de o tornar a fazer. A este propósito temos o testemunho do Padre José Abraham, que conheceu São Charbel…

“Um fiel pediu-me que entregasse ao Padre Charbel um estipêndio de missa, mas ele recusou-o, embora eu lhe tenha dito insistentemente que a intenção de quem fez a oferta era que fosse ele o destinatário. O Padre estendeu o braço, recebeu o dinheiro e, mantendo o braço estendido, passou-o a outro monge sem que, ao menos, tivesse olhado a oferta. Este gesto retrata bem o seu estado de alma… Livre de qualquer apego aos bens da carne e do mundo, vive no patamar apontado por Aquele que disse a Marta: ‘Uma só coisa é necessária’ (cf. Lc 10, 42). Para o eremitão de Annaya, como para Francisco de Assis, o mundo visível não detém o seu olhar porque, para ele, deixou de contar.

O Padre Charbel viveu verdadeiramente como o mais pobre dos pobres, tanto pela sua atitude espiritual, como pela sua relação com bens do mundo: o hábito, a comida, a cela em que habitava. Se ele pudesse escolher um hábito, escolheria o mais puído, e o usaria tanto no Inverno – a 1200 metros de altitude -, como no Verão. Aquilo de que se alimentava seria rejeitado por qualquer mendigo. Ele conseguiu atingir a conversão do olhar pela renúncia de si e das coisas. Deus – o próprio Deus - é o objeto da sua contemplação. Só Deus basta!

Oração

Austero São Charbel, quando vos imagino ajoelhado sobre um tapete de canas secas, em jejum e orando devotamente, aumenta ainda mais a minha confiança na vossa intercessão. Rogo-vos que me ajudeis a alcançar de Deus a graça que tanto espero durante esta novena (lembrar a graça…).

Oh São Charbel, pela vossa entrega, absorto no amor de Deus, rogai por mim.

Oh Jesus, Palavra encarnada, que engradecestes São Charbel com o conhecimento da Sagrada Escritura. Peço-Vos o dom de viver o resto dos meus dias conforme os vossos mandamentos. Eu Vos amo, meu Deus e único Salvador!

Sétimo Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Criança ainda, Charbel – nessa altura era “o José”, seu nome de batismo - levava a vaca a pastar num terreno da sua família, onde havia uma pequena gruta que servia para repousar no período de maior calor. Quando o animal já estava saciado, dizia-lhe: “Deita-te aqui; agora é minha vez de ir rezar”. Ali ficava a vaca quietinha até que José terminasse as suas orações. Aquele local, onde o prodígio se repetiu tantas vezes, chama-se hoje “el-qaddis”, ou seja, “o santo”.

A criança cresceu, deixou de ser “o José” para ser “o irmão Charbel” que, como noviço da Ordem dos Maronitas vestiu o hábito que, na linguagem florida do oriente, era conhecido como o “traje angélico”: túnica preta, com tecido abundante, e um cordão feito de pele de cabra. Enquanto noviço, São Charbel cumpria de forma perfeita, com muita humildade, a Regra que o obrigava.

A obediência, em si, é um verdadeiro martírio, pois a todos é muito difícil fazer o que os outros mandam. Esse martírio, São Charbel Makhlouf o viveu, numa imolação perfeita ao carisma do Fundador, São Maron, que no século VII fundou a Igreja Maronita, da qual foi o primeiro Patriarca.

O Padre Charbel via nos seus superiores a própria pessoa de Cristo, cumpria as suas ordens com alegria e com uma prontidão absoluta. E não só os seus superiores… Qualquer dos monges, ele o considerava outro Cristo, por isso lhe obedecia. Jamais alguém o viu contrariado com uma ordem recebida, ou queixando-se da conduta de algum superior. A obediência determinava a sua vida e santificava tudo o que fazia.

Oração

Bem-aventurado São Charbel, cheio de confiança procurando o vosso auxílio, pois quero fortalecer o meu coração com a virtude da obediência com que Deus vos favoreceu; alcançai-me a graça que espero alcançar nesta novena (indicar a graça…). Mostrai-me uma vez mais a grandeza da vossa bondade e o poder da vossa intercessão. Amem.

Oh bondoso e obediente São Charbel, rogai por mim!

Deus, meu Senhor, que concedestes a São Charbel a graça de uma caridade semelhante à vossa. Concedei-me que desperte e cresça no meu coração aquele amor que os cristãos devem testemunhar. Tende piedade e misericórdia de mim para que o vosso louvor esteja sempre na minha boca. Através de São Charbel Vos dou graças pelos séculos dos séculos. Amem.

Oitavo Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


No diário do mosteiro de São Maron de Annaya, o superior da altura, Padre António Michmichani, anotou o seguinte: “A 24 de dezembro de 1898, o Padre Charbel Makhlouf, depois de ter recebido o sacramento dos enfermos, foi chamado ao encontro de Deus, com a idade de 70 anos, tendo sido sepultado no cemitério da comunidade. Sempre fiel aos seus votos, de uma obediência exemplar, a sua conduta foi sempre mais angelical que humana”.

Naquela manhã do dia de Natal de 1898, um pequeno cortejo integrando monges e leigos, saiu da do ermitério de São Pedro e São Paulo; com grande esforço abriram caminho na neve abundante e conduziram o corpo do velho eremita, sobre uma maca, até à igreja do mosteiro. Uma pequena multidão o esperava e receberam-no com cânticos.

Às 10 horas da manhã do 2º dia da oitava do Natal, o corpo foi transportado pelos monges à sua última morada. Os sinos tocavam e, de acordo com a tradição monástica, o Padre Charbel desceu à terra com o rosto destapado.

Pouco tempo depois, os camponeses da região, entre eles alguns muçulmanos, começaram a assistir a fenómenos luminosos no cemitério do mosteiro, tendo o superior ordenado a abertura do túmulo. Aquilo que se verificou não tem paralelo nem na história da Igreja, nem na da medicina: o corpo mantinha todas as características de um corpo vivo, não exalava cheiro e vertia uma espécie de suor sanguinolento. A esta exumação seguiu-se outra, em 1926, e outra, ainda, em 1952, de todas a mais relatada: “o corpo foi retirado do caixão e sentado numa cadeira. Os braços e as pernas puderam dobrar-se. A cabeça inclinada balançava dum lado para outro. As vestes sacerdotais e as roupas interiores estavam encharcadas de sangue”.

O número de milagres nessa ocasião foi tão grande, que Annaya passou a ser conhecida por “A Lourdes libanesa”. Somente entre 22 de abril de 1950 e 25 de junho de 1955, foram registadas 237 curas nos anais do mosteiro de São Maron, muitas delas testemunhadas e estudadas por médicos. O Dr. Jorge Choucrallah, um dos médicos mais famosos do Líbano, que ao longo de vários anos acompanhou o fenómeno, concluiu: “Este corpo tem sido conservado por um poder sobrenatural”.

Oração

São Charbel, grande taumaturgo, do vosso corpo saem fragâncias benditas vindas do Céu, com poder sobre o mal; pela vossa intercessão auxiliai-me nas súplicas que faço a Jesus, para que Ele me conceda a graça que que gostaria de alcançar nesta novena (indica-se a graça…) se essa for a vontade de Deus. Amem.

São Charbel, rogai por mim!

Oh Deus, que concedestes a São Charbel o dom da fé, rogo-Vos que por seu intermédio aumenteis a minha fé para viver na fidelidade à vossa Palavra. Glória a Vós para sempre, Senhor! Amem.

Nono dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


“São Charbel”, venerado já em vida como santo, faltava-lhe obter a consagração da Igreja. Em 2 de abril de 1954. o Papa Pio XII assinou com o seu próprio punho o decreto que dava início ao processo de beatificação do Padre Charbel, dizendo: “O Padre Charbel já gozava, em vida, sem o querer, da honra de lhe chamarem santo, pois a sua existência era verdadeiramente santificada por sacrifícios, jejuns e abstinências. Foi vida digna de ser chamada cristã e, portanto, santa. Agora, após a sua morte, ocorre este extraordinário sinal deixado por Deus: o seu corpo transpira sangue e sempre que os doentes o tocam com um pedaço de pano as suas vestes humedecidas, alcançam alívio e, não poucos, até se veem curados. Glória ao Pai que coroou os combates dos santos. Glória ao Filho que deixou esse poder em suas relíquias. Glória ao Espírito Santo que paira na luz, visível sobre os seus restos mortais, para consolar todos os que estão tristes”.

São João XXIII, abrindo caminho ao seu sucessor, deu instruções para que se acelerasse o processo de beatificação de venerável Charbel. Em 5 de dezembro de 1965, durante o encerramento do Concílio Vaticano II – uma ocasião cheia de simbolismo - São Paulo VI procedeu à beatificação do Padre Charbel, tão ansiada pela Igreja Maronita, pela Ordem Libanesa Maronita, a que pertenceu o venerável de Annaya, pelo Líbano que o viu nascer e pelos cristãos do mundo inteiro. No segundo domingo de outubro de 1977, dia 9, ainda o Papa São Paulo VI canonizou solenemente, na Basílica de São Pedro, durante o Sínodo dos Bispos, o bem-aventurado Charbel Makhlouf, Foi a primeira canonização, realizada por um Papa, de um membro da Igreja do Rito Oriental. Até à canonização de São Charbel, os santos maronitas eram proclamados pelo Patriarca da Igreja maronita.

Oração

Oh São Charbel, estou no último dia da novena. Meu coração exulta de alegria cada vez que invoco o vosso nome. Espero com confiança receber de Jesus aquilo que, com fé, Lhe peço por vosso intermédio. Hoje quero pedir sobretudo pela paz no teu no amado Líbano.

Oh São Charbel que combatestes o bom combate e recebestes a coroa da glória, rogai por mim!

Oh Deus, que concedestes a São Charbel, que vive junto a Vós, um tão grande poder de fazer milagres. Tende misericórdia de tantos que experimentam tempos de violência, em especial do povo libanês. Concedei-lhe a paz e a prosperidade. Eu de bendigo pelos séculos dos séculos. Amem.


Basílica dos Mártires, 15 de julho de 2021
Cónego Armando Duarte