Novena em honra de Santa Rita de Cássia
de 13 a 22 de maio
Oracões para todos os dias
✞ Pelo sinal da Santa Cruz, ✞ livre-nos Deus nosso Senhor, ✞ dos nossos inimigos. ✞ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem.
Oração ao Divino Espírito Santo
Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do vosso Amor.
V/. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R/. E renovareis a face da terra.
Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos, segundo o mesmo Espírito, conhecer as coisas retas e gozar sempre das Suas consolações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amem.
Ato de Contrição
Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e, com o auxílio da vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Amem.
Oração a Santa Rita de Cássia
Gloriosa Santa Rita de Cássia, preciosa flor colhida nos campos da Igreja, a quem Deus escolheu para remédio dos aflitos e estrela fulgurante que guia o Seu Povo pelo caminho que conduz ao Céu, vos suplico: pela Paixão de Jesus, vosso Esposo, e pela Conceição Imaculada de Sua Mãe Santíssima, manifestai neste vosso indigno devoto que piedosamente faz esta novena, o poder e a graça que vos comunicou o Céu, e alcançai-me, por piedade, a graça que vos peço (indicar a graça que se pretende alcançar), mas sobretudo aquilo que mais importa à glória Deus e ao bem da minha alma, de modo a que viva e venha a morrer em paz. Alcançando-me o favor que peço, manifestai-vos na minha vida como a advogada das causas desesperadas, ó minha Santa protetora, amparando-me com a vossa intercessão, pela qual espero também obter de Deus o perdão dos meus pecados e a graça de um dia O contemplar na Sua glória, e convosco O poder louvar por toda a eternidade. Amem.
Ladainha de Santa Rita
Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, tende piedade de nós,
Senhor, tende piedade de nós,
Jesus Cristo, escutai-me,
Jesus Cristo, atendei-nos,
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós,
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós,
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós,
Santa Maria, Rainha dos Santos, rogai por nós
Santa Rita, que na idade de doze anos fizestes o voto de pertencer unicamente a Jesus, rogai por nós
Santa Rita, modelo das mulheres santas, rogai por nós
Santa Rita, esposa fidelíssima, rogai por nós
Santa Rita, mãe exemplaríssima, rogai por nós
Santa Rita, cheia de zelo pela salvação das almas, rogai por nós
Santa Rita, tão perfeitamente obediente à vontade de Deus, rogai por nós
Santa Rita, que miraculosamente entrastes no convento, rogai por nós
Santa Rita, glória da Ordem Agostiniana, rogai por nós
Santa Rita, que sempre vos comovestes com as dores de Jesus na Paixão, rogai por nós
Santa Rita, estigmatizada com um espinho da coroa de Jesus Crucificado, rogai por nós
Santa Rita, que suportastes enormes sofrimentos com admirável paciência, rogai por nós
Santa Rita, que tão heroicamente praticastes os conselhos evangélicos, rogai por nós
Santa Rita, que sempre vos considerastes a última das irmãs, rogai por nós
Santa Rita, consoladora dos aflitos, rogai por nós
Santa Rita, fiel serva da Virgem Imaculada, rogai por nós
,
Santa Rita, favorecida por Deus com o dom dos milagres, rogai por nós
Santa Rita, cuja ciência dos divinos mistérios enche de admiração os santos doutores, rogai por nós
Santa Rita, cheia de zelo pela conversão dos pecadores e pelo alívio das almas do purgatório, rogai por nós
Santa Rita, convidada por Jesus e Sua Mãe a participar no gozo eterno, rogai por nós
Santa Rita, cuja morte santa foi logo seguida de admiráveis prodígios, rogai por nós
Santa Rita, advogada das causas desesperadas, rogai por nós
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, perdoai-nos, Senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, atendei-nos, Senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós Senhor
Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, escutai-me
Jesus Cristo, atendei-nos
Pai Nosso
V/. E não nos deixeis cair em tentação.
R/. Mas livrai-nos do mal.
Agradeçamos à Santíssima Trindade os favores concedidos a Santa Rita
(Rezam-se 7 Glórias)
Meditação para cada um dos nove dias da novena
- Primeiro dia
Ó gloriosa Santa Rita, eis-me a vossos pés para implorar o vosso auxílio e obter de Deus, pela vossa poderosa intercessão, os auxílios necessários na tribulação em que me encontro. Como Joaquim e Ana, pais de Nossa Senhora, também os vossos pais, António e Amata, vos alcançaram de Deus com muita oração. Mas Deus escutou-os… Um Anjo lhes anunciou que iriam ter uma filha, que deveria chamar-se Margarida, que significa pérola, nome que mais tarde o povo abreviou para Rita. O anúncio cumpriu-se no já distante ano de 1381, em Roccaporena, na Itália. Quanto me agrada recordar a fé dos vossos pais e os favores de Deus que rodearam o vosso nascimento! Esse desígnio da graça de Deus acompanhou-vos depois na juventude e por toda a vida, à qual sempre correspondestes com total fidelidade. Não admira que cedo tivessem surgidos os prelúdios da vossa santidade, traduzidos no desabrochar de inúmeras virtudes, no desprezo da mundanidade, no amor ao silêncio, numa piedade exemplar, no espírito de oração e de penitência e, também, na obediência a vossos pais.
Ó milagrosa Santa, como fostes feliz em conservar a inocência do batismo e em edificar a vossa vida sobre alicerces tão sólidos. Do alto do Céu, lançai sobre mim um olhar de piedade, obtendo-me de Jesus o perdão de meus pecados, o socorro necessário para crescer na virtude e a graça que imploro. Já que no passado não vos imitei na santidade, saiba no presente imitar-vos na penitência, para no futuro alcançar a eterna bem-aventurança. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
- Segundo dia
Ó gloriosa Santa Rita, que na contemplação do crucifixo percebestes que a verdadeira sabedoria é a da Cruz! Cedo vos quisestes apartar do mundo, na vida religiosa, mas aceitastes o marido que os vossos pais, já de idade avançada, vos escolheram. Por obediência a eles, casastes com Paolo Ferdinando, jovem de boas famílias, mas que se revelou ser alcoólico, mulherengo e de caráter violento. Do casamento com Paolo nasceram dois rapazes, gémeos. Nos Seus desígnios insondáveis, Deus vos escolheu como um exemplo de esposa e mãe admirável, cheia de virtude, mesmo em circunstâncias tão difíceis.
A oração constante, a vossa perseverança e exemplo, alcançaram-vos a graça que tanto pedistes: após vinte anos de casamento, Paolo Ferdinando converteu-se, deixou a vida que levava e, durante algum tempo, vos acompanhou nos caminhos da fé e da virtude. Porém, os seus amigos de sempre não compreenderam aquela mudança e não tardou aquilo que tanto receáveis… o seu assassinato.
Muito agradaria a Deus que os esposos aprendessem convosco a arte de sofrer em silêncio, de viver na concórdia, de perseverar na oração e de praticar a mais perfeita virtude. Porque tal não acontece, as discórdias, a infidelidade e a desunião arruínam muitas famílias. Ó Santa das causas desesperadas, olhai a aflição de tantas esposas, a desorientação de tantos maridos, o abandono de tantos filhos, e a todos socorrei com a vossa intercessão. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
- Terceiro dia
Ó gloriosa Santa Rita, como aumentou a vossa dor quando vos apercebestes que vossos filhos, já homens, juraram vingar a morte do pai. Os vossos pedidos de mãe não os dissuadiam da vingança. De onde nos vem o auxílio? Voltastes-vos para Deus, pedindo-Lhe o bem supremo para os rapazes: a salvação das suas almas. Deus permitiu que ambos adoecessem atingidos pela peste que assolava a região, e acabassem por morrer. Mãe amorosa, os assististes na doença, falando-lhes sempre de amor e de perdão. Grande foi a vossa consolação quando, já muito doentes, perdoaram aos assassinos do pai! Porque sempre confiastes na misericórdia de Deus, nunca duvidastes da salvação eterna, quer do vosso marido, quer dos vossos filhos.
- «Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam».
Como poderemos nós, Santa Rita, agradecer a Deus a coragem heroica com que suportastes a morte do marido e dos filhos? Derramastes muitas lágrimas, que em nada deslustraram as vossas virtudes, porque aquilo que verdadeiramente temíeis, era a condenação eterna dos vossos ente-queridos. Num ato de admirável resignação, esquecestes a imensa dor e louvastes o Bom Deus que salvou o pai e os filhos do precipício do inferno.
De que me valeria admirar as vossas virtudes, se não estivesse disposto a seguir o vosso exemplo? Santa Rita, obtende-me do Céu a graça de perdoar aos inimigos, por amor de Jesus, e de preferir a amizade de Deus a tudo aquilo que este mundo me pode dar. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
- Quarto dia
Ó gloriosa Santa Rita, porque as soubestes cultivar, possuístes todas as virtudes em grau eminente; porém, a caridade para com Deus e para com os irmãos sobrepôs-se a todas as outras. Nem sequer consigo imaginar a beleza dos vossos pensamentos, a grandeza dos vossos afetos ou os suspiros de uma alma de eleição como a vossa! Muito menos me atrevo a falar dos frutos espirituais da contemplação do Divino Crucificado, das lágrimas abundantes que derramastes, da sublimidade dos êxtases que vos arrebatavam até Deus. Deus amou-vos e vós vos deixastes amar por Ele, e com esse amor com que Deus vos amou, amastes os vossos pais, o vosso marido, os vossos filhos e amastes o próximo.
Quão grande foi, na verdade, o vosso amor ao próximo… Os enfermos, os pobres, os aflitos de qualquer idade ou condição o poderiam testemunhar. Como difere o meu coração do vosso coração, ó venerável Santa Rita! Configurado com Jesus pelo batismo, continuo, mesmo assim, escravo de tantas paixões, afetos desordenados e, sobretudo, atraído pelas seduções do mundo. Como conseguirei quebrar as amarras desta escravidão pelas coisas da terra?
Ó advogada das causas desesperadas, pela caridade que praticastes neste mundo e que experimentais agora, em plenitude, no Céu, alcançai-me de Deus, cheio de Misericórdia, a liberdade e a graça de um coração, que descentrado de mim, seja capaz de amar os irmãos. Assim poderei imitar-vos e ser, como vós, presença do amor de Deus no mundo, uma luz que brilha nas trevas, perdão que vence o ódio. Para um dia, convosco, poder gozar da glória do Paraíso, objeto da minha esperança. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
- Quinto dia
Ó inconformada Santa Rita! Liberta dos compromissos familiares, poderíeis dedicar-vos a uma recatada e tranquila viuvez, exercendo algumas obras de caridade. Afinal, pelo modo exemplar como soubestes ser esposa e mãe em circunstâncias tão difíceis, pelo modo como vivestes as provações da vida familiar, em tudo agradastes ao Senhor, e, certa da Sua infinita misericórdia, não seria presunção da vossa parte aguardar calmamente o dia da passagem deste mundo para o Céu. Contudo, ó grande Santa, longe de pensar que já havíeis feito o bastante para alcançar a glória de Deus, voltastes ao primitivo chamamento, que só não concretizastes na juventude porque percebestes que Deus vos pedia antes, por obediência aos vossos virtuosos pais, já anciãos, que contraísseis matrimónio.
Agora, na viuvez, Deus chamou-vos, de novo, à imolação na vida religiosa. Ser religiosa Agostiniana era, então, na nova etapa da vossa vida, o que vos era pedido. Mas como concretizar esse projeto de vida tendo já sido casada e mãe de dois filhos? Duma coisa tínheis a certeza: tratando-se de um chamamento divino, e sendo vosso desejo corresponder-lhe, Deus arranjaria forma de concretizá-lo. O que é impossível aos homens, é possível a Deus! Bastaria, da vossa parte, rezar e colaborar com a graça, como se tudo dependesse de vós, mas na certeza de que tudo depende de Deus.
Ó gente tíbia e calculista, que regateais o tempo dedicado a uma breve oração, ao apostolado, ao cumprimento, pelos mínimos, dos vossos deveres religiosos… olhai para o exemplo de Santa Rita! Fez o que devia fazer como filha, esposa e mãe. Viveu cada um destes papéis de forma sacrificada e amorosa, com toda a fidelidade e dedicação. E agora, em vez de descansar nos méritos acumulados, está pronta para se imolar na vida religiosa. Santa Rita, intercedei por mim e por todos os cristãos “soft”… que me disponha, de vez, a aceitar Deus como o primeiro, o centro e o tudo da minha vida. Amem.
Pai Nosso, Ave Maria, Glória.
- Sexto dia
Vou narrar-vos como Deus atuou para realizar aquilo que parecia impossível alcançar… Manifestei às irmãs agostinianas o meu desejo de ser admitida como religiosa no seu convento de Cássia. Recusaram aceitar-me, por ter sido casada e pela forma violenta como havia morrido o meu marido. Ainda assim, fiz por mais duas vezes o pedido de admissão… Perante a recusa reiterada, voltei-me para Jesus colocando tudo nas Suas mãos. Então, um milagre aconteceu… Numa noite, enquanto dormia profundamente, ouvi chamar pelo meu nome: Rita, Rita, Rita! Como insistissem do lado de fora da porta do meu quarto, abri a porta. Deparei-me com Santo Agostinho, São Nicolau de Tolentino e São João Batista, dos quais era devota desde muito jovem. Mandaram que os seguisse. Depois de percorrer as ruas de Roccaporena, no pico de Scoglio, onde costumava ir rezar, senti-me subir nos ares e suavemente empurrada em direção a Cássia. Quando passava pelo Mosteiro de Santa Maria Madalena, entrei em êxtase. Quando despertei do êxtase, vi-me dentro do Convento. Confrontadas com o milagre, as freiras perceberam qual a vontade de Deus a meu respeito. Fui admitida, e, ainda no ano da minha admissão, em 1417, fiz os primeiros votos, não sem que antes tenha sido duramente provada: pela Superiora, pelas outras irmãs e pelo Senhor! “Se queres ser perfeito…”, disse Jesus ao jovem rico. Percebi claramente as exigências da perfeição cristã!
Gloriosa Santa Rita, mulher determinada e cheia de fé! Acredito em Deus, d’Ele espero o Céu, contudo quão facilmente desanimo nas dificuldades!!! Desisto, acovardo-me, sou “sim e não” e, não raro, me revolto contra Deus. Intercedei por mim, Santa Rita, alcançando-me a graça de querer sempre aquilo que Deus quer, pois a bem-aventurança eterna – e já a felicidade neste mundo – depende do cumprimento da Sua vontade. Faço o propósito de uma maior perseverança e determinação, e assim, convosco me hei de ver no Reino que Jesus nos alcançou. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
- Sétimo dia
Santa Rita, obediente! Santa Rita, penitente! Muitos factos ilustram a obediência e o espírito penitente com que vivestes, virtudes que cultivastes em grau elevadíssimo. Nesta novena, recordo a planta seca que se transformou em videira frondosa carregada de bons cachos de uvas. Prodígio que permanece, servindo as uvas colhidas, até aos dias de hoje, para fazer o vinho que na consagração da santa missa se torna no preciosíssimo Sangue de Jesus. A Madre Superiora, que queria, naturalmente a vossa santificação, tanto como a dela, vos pôs à prova, dando-vos a ordem absurda de regar um ramo ressequido. O que, sem fazerdes qualquer reparo passastes a fazer, regando várias vezes ao dia aquele “pau seco”, alcançando, pela obediência, um prodigioso milagre: o ramo seco ganhou vida, tornou-se videira que produzia deliciosas uvas. Ainda lá está, no Convento de Cássia, “a videira de Santa Rita”!!!
Ó Santa Rita, que compreendestes que a penitência do corpo de nada valeria se alma não estivesse totalmente abandonada à vontade de Deus. Sempre cumpristes as penitências diárias, muito para além daquilo que determinavam as austeras regras das religiosas agostinianas. Mas, além disso, sempre fizestes quatro quaresmas em cada ano, bem como jejum rigoroso na véspera do dia da festa dos santos da vossa Ordem e das grandes solenidades da Igreja.
Santa Rita, nestes tempos, o mundo perdeu quer o espírito de obediência – cada um tem a pretensão de poder fazer o que lhe apetece -, quer o espírito de mortificação. Por isso, o vosso exemplo me desafia a remar contra esta corrente hedonista que arrasta o mundo. Alcançai-me do Céu a força necessária para lutar, a fim de que, como vós, crie as condições para que Cristo vença em mim. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
- Oitavo dia
Ó gloriosa Santa Rita! Tanto meditastes na Paixão de Jesus, sobre os insultos, as rejeições, as ingratidões que Ele sofreu no caminho para o Calvário, que merecestes do Crucificado um “presente” concedido a muito poucos… Na Quaresma do ano de 1443, depois de terdes ouvido um comovente sermão sobre a Paixão de Nosso Senhor, pedistes para participar ainda mais intimamente dos Seus sofrimentos. Jesus permitiu que a marca daquele espinho que se Lhe cravou na testa e Lhe causava particular incómodo, ferisse a vossa testa, exalando a ferida aberta um odor pestilento e uma dor lancinante.
Santa Rita, que fizeste a experiência de 15 anos de confinamento e de solidão, pois as irmãs, não suportando o cheiro daquela ferida aberta na vossa testa, vos obrigaram a renunciar à vida comunitária, passado a viver como prisioneira numa cela separada das outras celas. Uma trégua vos foi concedida por ocasião da peregrinação que as irmãs fizeram a Roma no primeiro Ano Santo proclamado pelo Papa Nicolau V, em 1450. No tempo que durou a peregrinação jubilar, a ferida fechou-se, mas, no regresso ao Convento, de novo se abriu e logo retomastes a vida recôndita e solitária, aceitando, como se tratasse de uma carícia de Jesus, as dores causadas pelo estigma e a repugnância que este aos outros causava.
Ó paciente Santa Rita, quão longe estou da vossa santidade! Pensar no sofrimento, aflige-me; desejá-lo para mim, amedronta-me. Na realidade, aquilo que aprecio, é a mundanidade; suportar as provações da vida, causa-me incómodo. A vós recorro, ó querida Santa, para que me obtenhais a graça de saber sofrer, para que, sendo essa a vontade de Jesus, também em mim se complete a Sua Paixão, para redenção da humanidade e conversão dos pecadores. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
- Nono dia
Os últimos quatro anos de vida de Santa Rita, foram de expiação, acamada em virtude de uma doença grave e dolorosa; todos os dias julgava partir para o Céu, mas cada dia a porta parecia fechar-se para continuar mergulhada nas suas dores. Também experimentou, é certo, consolações de Deus… Como mãe preocupada com o melhor bem dos seus dois filhos – ela nunca deixou de ser mãe, tanto física, como espiritualmente – pediu a Nosso Senhor que, através de um sinal, lhe fizesse saber se os rapazes já estavam no Céu. Jesus concedeu-lhe não um, mais dois sinais: Uma sua parente que foi visitá-la, levou-lhe uma magnífica rosa vermelha e dois figos colhidos no quintal daquela que fora a sua casa de Roccaporena: em pleno inverno, quando as roseiras não dão rosas, nem das figueiras é possível colher figos!
Alegrou-vos ainda, ó Santa Rita, com uma consolação muito especial: a visita da Santíssima Virgem e do Menino Jesus, convidando-vos a entrar no reino dos Céus: logo pedistes a bênção da Prioresa e a santa Unção; deliciada e em paz, voastes para a beatífica eternidade. Foi no dia 22 de maio de 1457, era Papa Calixto III. A ferida do estigma desapareceu e, em vez dela, apareceu uma mancha vermelha rubi, que tinha uma fragrância deliciosa. Não chegastes a descer à terra… Ali ficastes, na capela do Convento de Cássia, onde vos fostes imolando. Mais tarde o caixão foi substituído por uma urna de vidro, de onde acenais, através desse corpo incorrupto, e atendeis os muitos pedidos desesperados dos peregrinos que vos procuram, fazendo-os chegar a Jesus, junto de quem já está a vossa alma esperando a ressurreição final.
Ó miraculosa Santa Rita, que tão radicalmente viveste as palavras de Jesus: «Quem se exaltar será humilhado e quem se humilhar será exaltado» (Mt 23,12). Sobre estas palavras edificastes o belo edifício da santidade. Obtende-me de Deus a graça de me conhecer a mim próprio, na realidade do meu pecado e indignidade, para viver humilde e pequenino, a fim de um dia ser exaltado no Céu. Socorrei-me, Santa Rita, eu confio no poder da vossa intercessão. Amem.
Pai-Nosso, Ave-Maria, Glória
Basílica dos Mártires, 10 de maio de 2020
Cónego Armando Duarte