Santa Filomena em Portugal

Recado do Diretor Espiritual

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do Centro de Confraternidade

XVIII Domingo do Tempo Comum – Ano C


Leitura do Livro de Coelet (Co (Ecle) 1,2; 2,21-23)

Ideia principal: Os bens deste mundo não podem ser deuses que comandam a nossa vida; há outros bens, que devemos descobrir e amar… esses sim, garantem a vida em plenitude.
- Desconhece-se o autor do Livro de Coélet, um dos livros sapienciais, escrito nos finais do séc. III, ou já séc. II a.C.. Coélet (v.1), ou “ekklesiastes”, não é nome próprio… é aquele que convoca a assembleia, o que preside, ou, simplesmente, um da assembleia: inconformista, polémico, contestatário. Trata-se de um livro de ruptura, que põe em causa cómodas sistematizações. O N.T. nunca o cita, ao contrário dos rabinos que o usavam muito nas suas catequeses. Porém, o texto que ouvimos, prepara muito bem o ensinamento de Jesus no Evangelho: é insensato quem acumula para si em vez de se se tornar rico aos olhos de Deus.
- Coélet apresenta um exemplo concreto de vaidade: um homem trabalha penosamente toda a vida para deixar algo de duradoiro que os seus herdeiros apreciem e conservem. Mas quem garante que os seus herdeiros não são estúpidos ou estroinas, gastando em pouco tempo aquilo tanto custou a amealhar?
- Que fazer então? Deixar de trabalhar? Comer, beber, divertir-se e não pensar noutra coisa? Coélet faz as perguntas, mas será Jesus a dar as respostas… é insensato trabalhar para enriquecer ou para deixar herança… deve-se trabalhar para Deus: n’Ele e com Ele encontraremos as razões que valem a pena.


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério


Ó Deus, Pai Santo, hoje falas-me através Coélet! “Tudo é vaidade”, é a afirmação triste e amargurada que se repete. Procurar a felicidade é correr atrás do vento… é vaidade! Quantas vezes me iludo pensando que isto ou aquilo depende de mim… Coélet acorda-me para a realidade: só olhando para o mais além, encontro um sentido para a vida. Senhor, que eu saiba, a apoiar-me em Ti, a trabalhar contigo e para Ti. Amem.


LEITURA I – Co (Ecle) 1,2; 2,21-23


Vaidade das vaidades – diz Coelet –
vaidade das vaidades: tudo é vaidade.
Quem trabalhou com sabedoria, ciência e êxito,
tem de deixar tudo a outro que nada fez.
Também isto é vaidade e grande desgraça.
Mas então, que aproveita ao homem todo o seu trabalho
e a ânsia com que se afadigou debaixo do sol?
Na verdade, todos os seus dias são cheios de dores
e os seus trabalhos cheios de cuidados e preocupações;
e nem de noite o seu coração descansa.
Também isto é vaidade.

ConegoArmandoDuarte

Cónego Armando Duarte