Santa Filomena em Portugal

Recado do Diretor Espiritual

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do Centro de Confraternidade

XVII Domingo do Tempo Comum – Ano C


Leitura do Livro do Génesis (Gen 18, 20-32)

Ideia principal:A oração é um “face a face” com Deus, no qual o homem – com humildade e respeito, mas também com ousadia e confiança – apresenta a Deus os seus anseios e tenta perceber os desígnios de Deus.
– A Bíblia exorta-nos a orar, sempre! Mas o que é rezar? Quando, como e porquê se deve fazê-lo? A resposta encontramo-la na primeira Leitura e no Evangelho da missa deste domingo, naquele delicioso “regateio” entre Abraão e Deus e na parábola do amigo inoportuno do Evangelho (Lc 11,5-8). Uma oração de intercessão e uma oração de petição… corajosas, confiantes, desafiantes… No final, ambas são atendidas.
– Abrão negoceia com Deus a salvação de Sodoma, como se estivesse num mercado árabe. Para alcançar o seu objectivo, faz 6 ofertas, baixando sempre a parada: começa com 50 justos e termina com 10. Fica-se por aqui… pois na cidade não há um único justo. Para poder atender à oração de Abraão – e à nossa! – terá Deus de enviar o único Justo: Jesus! Só Ele pode salvar Sodoma e as “sodomas” do nosso tempo.
– Por amor a um punhado de justos, Deus está disposto a suspender o castigo que pesa sobre a cidade? Uma questão revolucionária, atendendo a que estamos no século IX a.C., ainda longe da perspectiva da retribuição e da responsabilidade individuais. Ao longo da “negociação”, vai-se percebendo que, em Deus, a vontade de salvar prevalece sempre sobre a vontade de perder. N’Ele, a misericórdia é a última palavra!


Rezar a Palavra e contemplar o Mistério


Ó Deus de Abraão! Tu és o Deus que vem ao encontro do homem, que entras na sua tenda, que Te sentas à sua mesa, que estabeleces com ele comunhão, que realizas os sonhos daqueles que Te acolhem e partilham conTigo os seus anseios. Deus de Abraão! Tu não mudas… és o meu Deus! ConTigo também eu posso dialogar com amor e sem temor, de forma confiante e ousada. Senhor, ensina-me a rezar! Amem.


LEITURA I – Gen 18, 20-32


Naqueles dias, disse o Senhor: «O clamor contra Sodoma e Gomorra é tão forte, o seu pecado é tão grave que Eu vou descer para verificar se o clamor que chegou até Mim corresponde inteiramente às suas obras. Se sim ou não, hei-de sabê-lo». Os homens que tinham vindo à residência de Abraão dirigiram-se então para Sodoma, enquanto o Senhor continuava junto de Abraão. Este aproximou-se e disse: «Irás destruir o justo com o pecador? Talvez haja cinquenta justos na cidade. Matá-los-ás a todos? Não perdoarás a essa cidade, por causa dos cinquenta justos que nela residem? Longe de Ti fazer tal coisa: dar a morte ao justo e ao pecador, de modo que o justo e o pecador tenham a mesma sorte! Longe de Ti! O juiz de toda a terra não fará justiça?» O Senhor respondeu-lhe: «Se encontrar em Sodoma cinquenta justos, perdoarei a toda a cidade por causa deles». Abraão insistiu: «Atrevo-me a falar ao meu Senhor, eu que não passo de pó e cinza: talvez para cinquenta justos faltem cinco. Por causa de cinco, destruirás toda a cidade?» O Senhor respondeu: «Não a destruirei se lá encontrar quarenta e cinco justos». Abraão insistiu mais uma vez: «Talvez não se encontrem nela mais de quarenta». O Senhor respondeu: «Não a destruirei em atenção a esses quarenta». Abraão disse ainda: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei mais uma vez: talvez haja lá trinta justos». O Senhor respondeu: «Não farei a destruição, se lá encontrar esses trinta». Abraão insistiu novamente: «Atrevo-me ainda a falar ao meu Senhor: talvez não se encontrem lá mais de vinte justos». O Senhor respondeu: «Não destruirei a cidade em atenção a esses vinte». Abraão prosseguiu: «Se o meu Senhor não levar a mal, falarei ainda esta vez: talvez lá não se encontrem senão dez». O Senhor respondeu: «Em atenção a esses dez, não destruirei a cidade».

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Cónego Armando Duarte